Quando se começa a jogar padel, a raquete certa não é a que tem mais tecnologia, mas a que torna os primeiros jogos divertidos. Nos primeiros meses as pancadas nem sempre chegam ao centro da face, o movimento ainda está em construção e o braço não está habituado ao esforço: a raquete deve ajudar, não castigar.
Neste guia encontra as características a procurar, as que é melhor deixar para mais tarde e algumas indicações práticas para perceber quando chega o momento de mudar. Também pode ver diretamente as raquetes para iniciantes do nosso catálogo.
Do que precisa quem começa
Três palavras resumem tudo: tolerância, leveza e conforto. A tolerância significa que uma pancada não perfeitamente centrada sai ainda assim de forma aceitável. A leveza ajuda a preparar a pancada a tempo e a não chegar cansado ao fim do jogo. O conforto protege o braço enquanto os músculos e o movimento se habituam.
Uma raquete pensada para quem começa permite concentrar-se no que realmente importa nesta fase: a posição em campo, o uso das paredes e a continuidade na troca de bolas. A potência virá mais tarde, com a técnica.
O formato certo: redonda, na maioria dos casos
Para quem começa, a escolha mais segura é geralmente uma raquete redonda. O ponto doce amplo e central facilita as boas pancadas mesmo quando o tempo de impacto não é perfeito, e o equilíbrio baixo torna-a mais leve na mão.
Se já tem experiência noutros desportos de raquete e boa coordenação, também pode considerar uma lágrima com equilíbrio não demasiado alto. É melhor deixar para mais tarde o diamante: o seu ponto doce alto e reduzido premeia quem bate com precisão e pode tornar os primeiros meses mais frustrantes. O guia dos formatos explica estas diferenças em pormenor.
Peso e materiais recomendados
Como referência geral, muitos iniciantes sentem-se bem na gama mais leve das raquetes de adulto, aproximadamente até 355-360 gramas. Não é uma regra rígida: a constituição física e a força do braço também contam. Se depois de uma hora de jogo sentir o ombro ou o cotovelo cansados, a raquete pode estar demasiado pesada ou demasiado desequilibrada para a cabeça. Saiba mais no guia sobre quanto deve pesar uma raquete.
Quanto aos materiais, a fibra de vidro é muitas vezes a companheira ideal dos primeiros tempos: é macia, dá impulso à bola sem exigir um movimento rápido e absorve melhor as pancadas imprecisas. Uma face rígida de carbono, pelo contrário, dá o seu melhor com pancadas rápidas e centradas. Um modelo híbrido pode ser um bom compromisso se pensa jogar muitas vezes e evoluir depressa.
O que pode ignorar no início
Quando se começa, muitos pormenores das fichas técnicas importam pouco. Pode deixar de se preocupar com:
- tecnologias com nomes pomposos, difíceis de perceber a este nível;
- o modelo usado pelos profissionais, pensado para uma velocidade de braço muito diferente;
- pequenas diferenças de poucos gramas entre duas raquetes semelhantes;
- as coleções mais recentes: um modelo do ano anterior, se for adequado para si, serve perfeitamente.
Pequenos acessórios e cuidados com a raquete
Uma raquete de iniciante dura mais com alguns cuidados. Um overgrip novo melhora a aderência e a higiene, custa pouco e deve ser trocado quando fica liso ou gasto. Uma fita de proteção na borda ajuda a limitar os danos das pancadas contra o vidro ou o chão, frequentes nos primeiros tempos.
Evite deixar a raquete no carro ao sol ou com frio intenso, porque as temperaturas extremas podem alterar o comportamento do núcleo. Guarde-a numa capa e verifique de vez em quando se não há fissuras na estrutura.
Quando passar a uma raquete mais exigente
O sinal não é o tempo que passou, mas a forma como joga. Pode pensar numa troca quando bate regularmente no centro da face, consegue dar direção às trocas de bolas e sente que a raquete não lhe devolve o impulso que procura nas pancadas mais decididas.
Nessa altura, o passo natural é uma raquete de nível intermédio, muitas vezes em lágrima, sem saltar diretamente para os modelos mais rígidos. Para ter uma ideia completa dos critérios a avaliar, leia o guia sobre como escolher uma raquete de padel. Se o orçamento for a sua primeira preocupação, encontra indicações úteis no guia das raquetes abaixo de 100 euros.
Um último conselho prático: se puder, peça emprestadas algumas raquetes no clube ou aos seus parceiros de jogo e experimente-as durante algumas trocas de bolas. Não são precisos testes científicos: basta notar com que modelo a bola sai mais facilmente e o braço chega menos cansado ao fim do jogo. Mesmo uma pequena sensação positiva, repetida ao longo do tempo, conta mais do que uma ficha técnica. Anote os modelos experimentados e o que lhe agradou; assim, quando chegar o momento de comprar, já terá algumas referências concretas para comparar no catálogo.
Perguntas frequentes
Um iniciante pode comprar uma raquete diamante?
Pode, mas normalmente não é a melhor escolha: o ponto doce reduzido e o peso na cabeça dificultam as boas pancadas e podem cansar o braço. Uma raquete redonda ou uma lágrima fácil é mais indicada.
São precisas raquetes diferentes para homens e mulheres?
Não é o género que decide, mas a força, a constituição física e a técnica. Se achar confortável uma raquete mais leve ou mais pesada do que o rótulo sugere, siga as suas sensações.
Quanto tempo dura uma raquete para quem começa?
Depende da frequência de jogo e dos cuidados. Muitos iniciantes usam-na até mudarem de nível, por isso convém escolher um modelo adequado ao presente, sem gastar demasiado a pensar num futuro ainda distante.
A fibra de vidro é só para iniciantes?
Não. É comum entre quem começa porque é macia e tolerante, mas jogadores com mais experiência também podem preferi-la pelo conforto, sobretudo se procuram uma sensação menos rígida.